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ÉTICA NOS PROCESSOS DE COACHING EXECUTIVO

Como os processos de Coaching Executivo estão ambientados no contexto organizacional e envolvem outros Stakeholders além do executivo que passará pelo processo (Coachee) o fator ético torna-se fundamental para que a credibilidade e seriedade sejam mantidas e tornem-se fatores característicos desse tipo de processo.

Segundo o dicionário Michaelis ética pode ser definida como: parte da filosofia que estuda os valores morais e princípios ideais da conduta humana. É ciência normativa que serve de base à filosofia prática. Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão.

A Ética “pode ser entendida como um conjunto de valores através do qual indivíduos e grupos estabelecem e atualizam formas de comportamento e de atuação baseadas em modelos e conceitos sancionados num determinado contexto sociocultural” (KRAUSZ, 2011)

Já o conceito de Ética Empresarial segundo os autores do livro Ética Empresarial – O.C. Ferrell, John Fraedrich e Linda Ferrell, compreende princípios e padrões que orientam o comportamento no mundo dos negócios.

Para que a ética seja mantida nos processos de Coaching Executivo, três aspectos são fundamentais:

A clareza nos papeis dos envolvidos no processo

Os envolvidos em um processo de coaching executivo são: o Coach, o Coachee, o Gestor do Coachee e um representante da área de RH. Cada um destes tem um papel específico durante o processo e deve-se manter fiel a ele.

Coach: responsável por estabelecer um contrato de trabalho claro, por conduzir o processo e apoiar o Coachee na busca de seus objetivos, mantendo a confidencialidade das informações.

Coachee: se dedicar ao processo, agindo em direção aos seus objetivos de forma verdadeira e integra.

Gestor do Coachee: contribuir com o processo, acompanhando a evolução e oferecendo feedback, com interesse verdadeiro no desenvolvimento do Coachee.

Representante de RH: Contribuir no início do processo na disponibilização de Coaches qualificados para a condução do processo, apoiar a triangulação do contrato e continuar disponível para intervir em caso de qualquer uma das partes precisar de seu apoio.

Se cada um desses públicos se mantiver fiel ao seu papel e se dedicar a cumpri-lo com responsabilidade e dedicação, estará contribuindo para um processo de coaching ético e benéfico para todas as partes envolvidas.

A delimitação no escopo do que é Coaching Executivo

Diferenciar o processo de Coaching de mentoria, aconselhamento, terapia e consultoria, também contribui para a manutenção da ética nos processos. Enquanto o processo de coaching objetiva e incentiva à autonomia, a independência e o poder que cada indivíduo possui para buscar respostas dentro de si próprio, as demais intervenções possuem outras premissas de atuação, que permitem que o profissional faça recomendações, aconselhe ou sugira formas de ação. Cada tipo de intervenção é adequado para um tipo de necessidade, saber distinguir isso e recomendar a melhor opção, faz parte do papel do Coach. Então se você é Coach, é importante seguir as premissas dessa atividade e ser fiel a elas.

Além do exposto acima, também tem a diferenciação do Coaching Executivo do Coaching que não envolve o contexto empresarial, diretamente. O Coach precisa se preparar para atuar no contexto do Coaching Executivo, pois isso exige ter conhecimento sobre o ambiente organizacional, sobre cultura interna, gestão de mudanças entre outros assuntos. É uma responsabilidade ética, que cada Coach tenha clareza da sua maturidade profissional e só assuma trabalhos para os quais esteja preparado.

A formação, experiência e integridade do profissional Coach

Ter profissionais preparados, conduzindo os processos de Coaching Executivo, significa que esses profissionais possuem uma formação específica nesta área, em uma escola de formação séria, que tenham experimentado profissionalmente o trabalho dentro do ambiente organizacional, que possuam formação superior preferencialmente na área de humanas e que tenham construído uma experiência como Coaches Executivos consistente –  todos esses pré-requisitos,  de alguma forma contribuem para uma atuação ética na profissão.

O fato dessa profissão não ter barreiras de entrada claras e definidas por um órgão regulador, facilita a banalização e confusão do mercado, exigindo que as empresas criem seus próprios critérios para a contratação, critérios esses que garantam a ética na condução dos processos.

O profissional maduro e experiente tem seus princípios éticos claros e atua com base nos mesmos mantendo sua carreira como Coach resguardada e sua reputação fortalecida. Além disso está sempre buscando aprimoramento que contribua para prestar melhor serviço à seus clientes.

De qualquer forma, também existe a possibilidade de recorrer aos códigos de ética externos, para dar suporte e para servir como guia na condução dos processos de Coaching Executivo. Cito o código de ética da ABRACEM – Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial, que oferece uma referência de como os processos de coaching executivos devem ser encaminhados para que a ética seja preservada. Quem tiver interesse pode ter acesso no endereço abaixo:

http://www.abracem.org.br/pdf/arquivo_20140414212525.pdf

O fato de o processo de coaching executivo envolver vários Stakeholders abre caminho para dilemas éticos para os quais a atenção dos profissionais precisa estar direcionada preventivamente. Alguns exemplos:

  • A área de RH pedir informações mais detalhadas sobre o processo do Coachee;
  • Gestor tentar influenciar o processo procurando ter encontros com o Coach;
  • Coach atender dois Coachees que respondam para o mesmo Gestor, ao mesmo tempo.

 

Para lidar com esses dilemas, ter consciência dos valores e posturas que são aceitáveis no contexto do Coaching Executivo, seguir seus próprios padrões éticos e se necessário buscar supervisão, são atitudes que podem preservar bons resultados para o Coach, principalmente para o Coachee e é claro também para o gestor e para a área de RH.

“Ética é o conjunto de valores e princípios que nós usamos para decidir as três grandes questões da vida: Quero?  Devo?  Posso?
Tem coisa que eu quero mas não devo, tem coisa que eu devo mas não posso e tem coisa que eu posso mas não quero.”

Mario Sergio Cortella

Mais do que seguir uma série de regras e padrões de conduta a própria escolha por ser coach já deve ter sido construída e alicerçada em objetivos mais nobres do que juntar “um milhão de dólares”. Trabalhar com o desenvolvimento de pessoas é algo que exige que o profissional tenha fortes padrões éticos internos e que saiba colocá-los em prática no seu dia-a-dia laboral. A ética é o alicerce para que a relação de coaching se estabeleça e para que a confiança necessária para o sucesso do processo seja possível.

 

O Sábio e o Passarinho

Existia, próximo a uma pequena cidade, uma casinha bem simples, no alto da serra, onde morava um velho, sábio, contador de histórias, uma pessoa querida e respeitada por todos que viviam naquela região.

Certo dia, um grupo de garotos travessos e com energia transbordando, tiveram uma brilhante ideia:

“- Hoje, nós vamos desbancar aquele velho! Vamos mostrar que ele é capaz de errar. A gente pega um passarinho, bem pequenininho, coloca entre as mãos, vai até ele e pergunta o que é que a gente tem na mão. Como ele é sábio, facilmente vai responder. Aí é que a gente engana ele: vamos perguntar depois que ele acertar que é um pássaro, se o passarinho está vivo ou morto. Se ele responder que está vivo, a gente aperta a mão e esmaga o passarinho, mostrando para ele que está morto; se ele responder que está morto a gente abre a mão e o bichinho sai voando. De todo o jeito, ele vai sair perdendo.”

E assim fizeram. Pegaram o passarinho e dirigiram-se, euforicamente, até a casa do sábio. Aproximaram-se, todos contentes e foram logo perguntando, já acreditando na vitória:

“- Com as mãos voltadas para as costas, o que é que tenho entre as mãos? Ele olhou….pensou…., observou bastante e respondeu: “ – Um passarinho.”

“- Muito bem! Acertou. Agora, diga-me: esse passarinho está vivo ou morto?”

Olhando bem nos olhos de cada um dos garotos, com voz serena e cheia de autoridade, respondeu:  Depende de você! A vida ou a morte desse passarinho está nas suas mãos.”

 

Moral da história: O sábio foi colocado frente a um dilema ético e respeitou o princípio de autonomia e não diretividade deixando que o garoto tomasse sua própria decisão. Caso tivesse feito a escolha teria errado de qualquer forma. Assim funciona nos processos de Coaching, pois fazendo escolhas pelo cliente, mesmo que o resultado seja positivo o Coach deixou de contribuir para o empoderamento de seu cliente.

 

Pense nisso!

 

Referências:

Dicionário Michaelis on-line

Ferrell, O.C.; Fraedrich, John; Ferrell, Linda – ética Empresarial. Editora Holighton Mifflin, 2000

Krausz, Rosa R. (2011). Comments on “”Business as usual?: Ethics in the fast changing world of organizations” Transactional Analysis Journal. apud Revista de Coaching Brasil- artigo Coaching Executivo e Empresarial – Uma abordagem contemporânea.

Site da ABRACEM www.abracem.org.br

 

Abraços,

Yara Leal de Carvalho

yara@questaodecoaching.com.br

https://www.facebook.com/questaodecoaching

 

Artigo publicado originalmente na Revista de Coaching Brasil  http://revistacoachingbrasil.com.br/

 

 

 

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