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Produtividade e Motivação – Um sonho de consumo corporativo

Aproveitar o tempo, fazer mais com menos, ter melhores resultados com prazos menores… frases que expressam nosso desejo e busca por produtividade, na vida e no  trabalho. Quem de nós não quer ser assertivo, tomar as melhores decisões, encontrar soluções efetivas, com a menor quantidade de erros e retrabalho?

Queremos viver e trabalhar com qualidade, evitando perdas importantes de tempo, dinheiro, energia, prazer, convivência com amigos, amores, família, canalizando nossa inteligência e esforços para obter os sucessos e as conquistas tão sonhados.

Independente da atividade ou da função, ninguém sai de casa para trabalhar com a clara intenção de falhar e “dar errado”, ao contrário, todos temos o desejo vital de alcançar o nosso melhor e, ao longo do tempo, sair do lugar comum, da mesmice, diferenciar-nos da multidão, transformar o que fazemos em algo com significado e valor para nós e quem nos é importante.

Produtividade é tema para muitos estudiosos e autores. Um deles, Charles Duhigg, em seu livro “Mais rápido e melhor”, a trata como escolha e decisão pessoal. Entre alguns fatores chave para a alta produtividade, o primeiro que ele aponta é a motivação, seja ela individual ou em equipe.

Em projetos de consultoria e também de coaching, uma das demandas mais recorrentes que recebemos é aumentar o nível de produtividade, motivação e iniciativa de colaboradores e equipes. Presidentes de empresas, diretores, gerentes de nível médio, supervisores, percebem com alguma frequência que seus times estão reativos, agem somente a partir de pressões ou cobranças, têm pouca autonomia e capacidade de decisão.

Antes de sugerir uma possível causa para o problema, vamos olhar para um outro lado da vida, aquele em que educamos ou presenciamos a educação de crianças pequenas. Quanto mais ordens, imposições, regras rigidamente estabelecidas com relação a comportamentos, atividades, roupas, comidas, maior a chance de obter duas respostas opostas: rebeldia ou passividade. Ao contrário, quanto mais diálogo, estímulo para a criança pensar, falar, expressar sua opinião e seu sentimento, mais ela colabora, aprende e amadurece.

Uma das grandes alavancas do aprendizado e da maturidade sem dúvida é a capacidade de escolher, por menor que seja a escolha, e de decidir por conta própria.

Isso vai promovendo aquela sensação poderosa de estar no controle, com autoridade interior sobre as próprias ações, decidindo caminhos, definindo atividades, mesmo que mais duras ou complexas, que não serão meras tarefas ou obrigações, mas verdadeiros desafios.

Sensação boa essa não? Mas voltando agora às empresas… Quantas vezes temos lá dentro essa experiência?

Aí está o xis da questão. A grande maioria das estruturas organizacionais reduz o empenho e o trabalho mais produtivo, incentiva o cumprimento de ordens e obrigações, limita o poder de escolha, centraliza as decisões. As pessoas são incentivadas a pensar e agir sob fatores que estão além do seu controle.

O resultado é bem dentro do esperado… pessoas menos engajadas, menos autônomas, menos motivadas, menos produtivas. Observamos que é mais comum e mais “fácil” gerir assim, um modelo aprendido com antigas gerações de gestores e de reprodução quase automática

A grande pergunta é: “Como levar as pessoas a pensar e agir por conta própria, produtivamente, com senso de orientação e automotivação?

O que parece a resposta? Escolha ao invés de imposição; pensar, deliberar e assumir o controle ao invés de apenas obedecer e fazer o que é mandado; ter aprendizado e diversão ao invés de só cumprir obrigações.

Nas empresas é extremamente positivo e necessário que processos e tarefas estejam estruturados, porém, é no dia a dia que acontecem as situações imprevistas, inesperadas, os atrasos, as reações de clientes, exigindo gente capaz de agir de forma independente, analisar e decidir na hora e por conta própria qual a melhor ação.

É assim que surge o “lócus de controle interno”, aquele nosso status de sermos protagonistas e não meros coadjuvantes, em que nos vemos responsáveis por nossos sucessos e assumimos os aprendizados dos fracassos.

Certamente, não há fórmulas fáceis ou “ferramentas mágicas” para que isso aconteça, tanto no nível individual quanto coletivo. Mas aí está a grande beleza: trabalhar num processo consciente e continuo e ser um agente das mudanças que virão.

Fica lançado o desafio!

Como membros de equipes, como atuar para ter mais lista de prioridades e menos lista de tarefas? Como podemos ser os “sujeitos” da nossa história?

Como gestores, como agir para, como sugere Charles Duwigg, “garimpar a expressão individual” de cada colaborador do time?

Só assim, estaremos mais satisfeitos com nosso trabalho e nossas vidas.
Rosangela Bacima

Consultora, palestrante e estrategista no desenvolvimento do Capital Humano e Capital Social das empresas. Coach Executivo e Empresarial, formada pela ABRACEM. Especialista em Coaching The Inner Game, formada por Timothy Gallwey.

Larga vivência corporativa, com 25 anos em posições executivas nas áreas de RH e Responsabilidade Socioambiental.

Psicóloga, Pós-Graduada em Administração de Empresas, Mestre em Administração de Recursos Humanos. Docente em cursos de Pós-Graduação e MBA.

 

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