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As sinergias entre Coaching e Teoria U

Coaching Teoria U

Vejo o coaching como um processo que possibilita a ampliação da consciência e a recriação de realidades, sejam elas internas ou externas.

Diante desse olhar, vejo que a Teoria U tem muito a contribuir com o desenvolvimento do processo de coaching, pois nele também passamos por cada fase que a Jornada do U propõe.

Em todo começo de processo de coaching iniciamos com a intenção, como: “O que eu quero transformar, investigar ou desenvolver?”

Nesse início, o coachee ainda está com seus modelos mentais mais fechados, com crenças enraizadas, muitas vezes fazendo “downloading” na forma de atuar, vendo as situações com um mesmo olhar e agindo conforme antigos padrões.

Ao longo do processo, o coachee passa por uma etapa de expansão de consciência, que considero a parte da descida do U, que é o momento em que o coachee passa a si re-conhecer (conhecer novamente, mas agora com novos olhos) e a re-conhecer o campo em que está investigando seu tema, sua intenção.

Nesse momento é hora de abrir a mente, ver com novos olhos, redirecionar a atenção para o que realmente importa, conectar com o sentir, trabalhar a autoempatia e a empatia com o outro, que muitas vezes pode estar causando o conflito ou trazendo algum empecilho para que o coachee continue a sua jornada e busca de realização.

O convite aqui é para um olhar novo, como se estivesse vendo com novas lentes, seja para suas habilidades e potências, seja para sua história de vida, para seu ambiente de trabalho, familiar, para suas relações, ou para qualquer desafio que esteja enfrentando no campo no qual esteja investigando.

Ao tatear esses campos, sejam eles internos ou externos, fazendo um reconhecimento do que está ali, o olhar passa pelas necessidades, motivações e crenças existentes.

A forma vai depender de cada coach e de como gosta de conduzir o processo. Uns com perguntas provocativas, outros com ferramentas mais objetivas, visualizações, jornadas de aprendizagem mapeadas pelo coachee e também pelo coach, entre tantas outras formas.

Quando chegamos embaixo do U no processo de coaching é o grande ponto da virada.

Como o to Otto Scharmer diz é o momento de passar pelo buraco da agulha, de deixar para trás aquilo que não serve mais e ficar só com o essencial. Momento de deixar ir e deixar vir.

Nesse momento no coaching é a parte que vemos o coachee mais conectado com ele. Sua intenção vem de um lugar de quietude interna, não mais de um lugar muitas vezes externo, baseado na expectativa do outro ou do sistema no qual está inserido. Sua intenção brota do coração, da sua fonte mais preciosa de sabedoria interna, intuição e criatividade.

Aqui encontra-se um espaço para exercícios de conexão interna. É estar menos fora e mais dentro. Novamente, as formas podem ser diversas, desde o uso da meditação, visualização desse futuro desejado, desenho do cenário ideal, entre outras formas.

Mas para chegar nesse momento, no qual a intenção nasce desse lugar de verdade e profundidade, é preciso ter percorrido aquele caminho anterior de expansão de crenças limitantes, abertura do olhar, do coração e da vontade de criar o novo.

Conectado a essa intenção, o processo de coaching passa por uma nova etapa que é a subida do U. Esse momento diz respeito à cristalização dessa intenção em forma de ideia e protótipo.

É hora de expandir as possibilidades. Ir para a ação. Hora de agir sem pensar muito. Hora de testar. Experimentar.

Isso também pode acontecer de diversas formas. O protótipo às vezes pode ser imaginário, criado no próprio espaço de coaching através de uma cena, ou com imagens, por exemplo.

Também pode ser real, experimentando em pequenas dosagens essa intenção para que seja possível colher feedback do universo e até mesmo refletir sobre esse processo de aprendizagem no próprio campo do coaching, e assim, ajudar o coachee a se fortalecer para os próximos passos mais estruturados.

Não necessariamente essas fases são delimitadas e totalmente visíveis durante o processo.

Vejo o coaching como um processo vivo e orgânico, que terá o tom do coachee e do tema que ele está investigando.

Mas para mim, a Teoria U tem um papel fundamental no olhar desse processo como um todo e como, visivelmente ou invisivelmente, o coachee passa por essas etapas.

Às vezes todas elas no mesmo encontro, que costumo dizer que é o pequeno U, e às vezes de forma mais macro que considero o processo como um todo.

Mais importante ainda que o olhar para o processo, ferramentas e técnicas, considero o lugar que o coach ocupa nesse processo o maior ponto de atenção, como a qualidade da sua presença e escuta.

Este lugar também é abordado por Otto na Teoria do U, que é o que ele chama de liderança interna, o lugar do qual o líder ou agente de mudança está operando internamente para que seja possível criar o campo para a mudança.

Nesse lugar interno, o que o Otto traz como a competência essencial é a escuta.

E não poderia ser outra a competência principal do coach também.

Uma escuta que não fica no “downloading”, na qual eu escuto a partir dos meus modelos mentais e verdades, mas uma escuta que me possibilita ouvir fatos novos, conectar empaticamente e perceber a possibilidade de futuro que quer emergir no outro.

É como se o coach pudesse escutar esse novo Ser que quer nascer, mas que ainda não está lá visível. A esse tipo de escuta, o Otto dá o nome de Escuta Generativa.

O coach, portanto, precisa cuidar muito bem desse seu lugar interno, desse seu estado de consciência, do ponto basal de onde está operando.

É partir desse lugar interno que ele conseguirá criar um campo aberto e amoroso para que o coachee possa se redescobrir, expandir e se transformar.

Não é tarefa fácil!! Aaah..se existisse uma manual explícito de como se fazer isso!!!

Mas não existe.

Cada um deve trilhar seu caminho de autodesenvolvimento para que possa ir cuidando desse campo interno e assim possibilitar um campo externo propício para o desenvolvimento e transformação.

Caso queira saber mais sobre a Teoria U, tem outro artigo que escrevi aqui:

Marcela Lampé

Psicóloga, Coach e Facilitadora de Processos de Desenvolvimento Humano. Apaixonada por autoconhecimento e experiências que ampliem a consciência.

 

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