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RESENHA – Sonho Grande

17.07.15_imagem

No último feriado prolongado resolvi reler Sonho Grande, o primeiro livro da jornalista Cristiane Correa no qual conta como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira ergueram, em pouco mais de quatro décadas, o maior império da história do capitalismo brasileiro e ganharam uma projeção sem precedentes no cenário mundial. Em cinco anos eles compraram nada menos que três marcas americanas conhecidas globalmente – Budweiser, Burger King e Heinz. A fórmula de gestão que desenvolveram se baseia em meritocracia, simplicidade e busca incessante por redução de custos. Uma cultura tão eficiente quanto implacável, em que não há espaço para o desempenho medíocre. Por outro lado, quem traz resultados excecionais tem a chance de se tornar sócio de suas companhias e fazer fortuna.

O prefácio do livro foi escrito por Jim Collins, o guru de gestão e para muitos, o sucessor legítimo de Peter Drucker. Nele, Collins relata o início de sua amizade com estes três grandes empresários na década de 90 e compartilha as principais lições que aprendeu ao longo dos anos com a jornada deles:

Invista sempre – e acima de tudo – em pessoas: para eles é melhor dar uma chance às pessoas talentosas (ainda que novatas) e sofrer algumas decepções no caminho do que não acreditar nelas. Possuem uma obsessão em conseguir as pessoas certas, investir nelas, desafiá-las, construir a empresa com sua ajuda e vê-las experimentar a alegria de realizar um “grande sonho”.

Sustente o impulso com um grande sonho: Gente boa precisa ter coisas grandes para fazer, senão leva sua energia criativa para outro lugar. Assim, os três construíram um mecanismo que tem duas premissas básicas: primeiro recrute as melhores pessoas e depois dê a elas coisas grandes para fazer. Em seguida atraia mais gente boa e proponha a próxima coisa importante a fazer.

Crie um cultura meritocrática com incentivos alinhados: Eles desenvolveram uma cultura que valoriza o desempenho, não o status; a realização, não a idade; a contribuição, não o cargo; o talento, não as credenciais. Os três sócios acreditam que as melhores pessoas anseiam pela meritocracia, enquanto as pessoas medíocres têm medo dela.

Você pode exportar uma ótima cultura para setores e geografias amplamente divergentes: Para Lemann, Telles e Sicupira, a cultura não é um apoio à estratégia; a cultura é a estratégia. O modelo criado foi transferido de um banco de investimentos para uma cervejaria; do Brasil para a América Latina; depois para a Europa e os Estados Unidos, e agora para todo o mundo.

Concentre-se em criar algo grande, não em “administrar dinheiro”:

Quando tomaram a decisão de comprar a cervejaria Brahma, muitos observadores esperavam que eles simplesmente a usassem para um rápido ganho financeiro. Agora, mais de duas décadas depois dessa compra, podemos comprovar que eles nunca a viram como uma transação financeira, e sim como um passo para o crescimento. Para eles administrar dinheiro, por si, nunca cria algo grande e duradouro, mas desenvolver algo grande pode levar a resultados substanciais.

A simplicidade tem magia e genialidade: Em quase todas as dimensões, os três buscam ser simples. Eles usam trajes bem comuns – você não os notaria numa multidão. Sempre mantiveram escritórios modestos, nunca se isolando de seu pessoal. Sempre usaram a riqueza não para a opulência, mas para simplificar suas vidas, para que pudessem se concentrar em continuar desenvolvendo a empresa.

É bom ser fanático: eles buscam pessoas fanáticas. Sabem que não existe caminho fácil para construir esse tipo de empresa, apenas um esforço intenso, do longo prazo, sustentado. E o único meio de construir esse tipo de empresa é ser fanático.

Disciplina e calma (não velocidade) são a chave do sucesso em momentos difíceis: esses momentos requerem um espírito de avaliação cuidadosa de opções seguida de decisões calculadas. O importante é entender quanto tempo se tem para tomar decisões e quando chegar a hora, se estar preparado para agir com firmeza.

Um conselho de administração forte e disciplinado pode ser um ativo estratégico poderoso: Quando brasileiros e belgas se uniram para formar a maior empresa de cerveja do mundo, as pessoas se perguntaram como aquelas duas culturas poderiam coexistir. No entanto, elas se tornaram um todo unificado. Isso aconteceu porque todos os envolvidos tinham uma única meta: fazer o melhor para criar uma empresa vencedora e duradoura. O conselho toma decisões e aloca capital visando o valor de longo prazo para os acionistas, medido em várias décadas, não em trimestres.

Busque conselheiros e professores, e conecte-os entre si: Jorge Paulo Lemann, desde cedo buscou ativamente pessoas com quem pudesse aprender com quem pudesse aprender. E como se isso não bastasse, também achou meios de conectar essas pessoas para potencializar ainda mais o aprendizado de todos. E ainda hoje os três sócios continuam com o espírito de estudantes, aprendendo com os melhores e depois ensinando à próxima geração.

Recomendo a leitura deste livro para quem deseja saber como se constrói e mantém uma cultura organizacional forte. E acredito também que a vale a pena conhecer a história desses três brasileiros que estão no mesmo nível de visionários dos negócios como Walt Disney, Henry Ford, Sam Walton, Akio Morita e Steve Jobs.

Boa leitura!

Cassia Verginia de Resende

cassia@questaodecoaching.com.br

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